quinta-feira, 12 de março de 2009

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Ah, você. Que é que eu faço com essas marcas que ficaram? Me diz. Melhor: não diz. Não quero nem lembrar daquela voz rouca e da língua meio enrolada. E o olhar. Que mais parecia dizer sorry-you’re-so-fucked. Admito. Você me ferrou. Um pouquinho. Não muito nem muito fundo. Ilusõezinhas não ferram pra sempre. Só por um tempo. E apesar de todos os pesares, silêncios, sumiços, surpresas, gostava da emoção. Batimentos acelerados, ácidos jorrando no estômago. Vida. Ou sensação de vida. Esquece-relembra-esquece-relembra. E sofre. Não o sofrimento genuíno de quem amou, sentiu, viveu. Pior. A dor do quase. Quase foi, quase bateu, quase aconteceu direitinho. Não chega a arder. Só coça. Uma coceirinha insana em momentos impróprios. Você vai se dispersando aos poucos. Perco os detalhes. A nitidez. As lembranças escorregam. E vão embora. Mas você fica aqui em algum lugar que não sei qual é.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O ataque das baratas mutantes

Tudo começou numa calma noite de Verão, lá estava eu na minha rotina noctívaga com a janela aberta mas com a persiana fechada, apenas com os buracos abertos, quando sinto cair qualquer coisa na mesa do computador(não, não era um ser pequenino do planeta Zorg), olhei com atenção e deparei-me com uma barata pequena, facilmente confundível com uma mosca. Não me admirei, afinal naquela zona durante o Verão, era normal aparecerem baratas em casa de vez em quando. Tentei matá-la mas perdi-a de vista e não me apeteceu procurar muito (coisa normal, visto o meu problema de perguicite).
Até aqui nada de especial, o mais estranho foi que passado um minuto voltou a cair uma barata em cima da mesa, e eu, tal como qualquer outra pessoa o faria, estranhei a mesma barata cair duas vezes na mesa, principalmente porque acho que as baratas não sofrem de depressões nem nada do género que as leve a suicidarem-se atirando-se desenfreadamente do tecto para cima de mesas de computadores... enfim..
Levantei-me, esmaguei a maldita barata (confesso que senti m certo prazer ao fazê-lo), e estava a preparar-me para me sentar de novo quando, e para meu espanto, reparo que estão mais baratas pequenas à volta do candeeiro de tecto, quando dei por mim, estava a ser atacado em todas as frentes por baratas sanguinárias que estavam a entrar na minha casa pelos buracos da janela! E como se o rastejar repulsivo das baratas não fosse suficiente, estas insistiam em voar também, o que irritava ainda mais.
Fechei a janela apressadamente, enquanto algumas baratas ainda ficaram do lado de fora do vidro a tentar entrar para, quem sabe, entrar-me nos ouvidos enquanto eu estivesse a dormir e comerem-me o cérebro, ou simplesmente entrarem-me nas narinas, procriarem dentro do meu corpo, e depois eu dar por mim num dia mais tarde a ter baratas a saírem-me da boca, e a escavarem buracos na minha pele para se libertarem... (pronto, eu páro com este disparate, mas digam lá que não podia acontecer.. ah pois é).
Saí a correr do quarto, fui buscar o Raid, e entrei destemida no quarto para acabar com a ameaça extraterrestre das baratas mutantes sedentas de sangue.(quem é corajoso, quem é?). Comecei a pulverizar por todos os lados, tentando atingir os sítios de maior concentração bichóide, e elas lá foram caíndo a meus pés, esperneando, algumas ainda tentarem num último esforço arrancarem-me um membro mas eu pisei-as imediatamente. No final, consegui livrar-me delas, e fiquei a olhar pra elas com um ar estúpido de vitória estampado na fronha, enquanto as sobreviventes juravam vingança, do lado de fora do vidro.
Mas todo o meu esforço me pareceu em vão, quando minha mãe , que insiste constantemente em que ela é que sabe, mesmo que não saiba nada, veio ao quarto, olhou para as baratas sobreviventes do lado de fora do vidro, e disse que eram só moscas. COMO É QUE ELA É CAPAZ DE VER UMA BARATA A 5 CM DO NARIZ E DIZER QUE É UMA MOSCA? irritei-me tanto que lhe agarrei na cabeça e encostei-a ao vidro, mas ela continuou casmurro, enfim.. felizmente a minha irmã estava lá para comprovar que de facto eram baratas e assim confirmar a minha experiência de contacto em 3º grau com baratas mutantes sanguinárias da espécie baratovkis mutantius.



HAHHAHHAHAHA

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aleatoria'mente'

Palavras aleatórias, amores falsos que não harmonizam a cabeça e o coração, estamos entrando em transe, preparem-se, apertem os cintos, usem sacos no caso de passarem mal, escutem o silencio, enxerguem uma luz no fim do túnel, quebre o braço jogando quebra-cabeças, sinta a chuva debaixo do guarda-chuva, sinta-se em casa quando estiver na casa da sogra, sinta-se desavontade quando estiver em casa, esconda suas coisas no fundo falso da gaveta, escreva cartas de amor, mas nunca, nunca as envie ou entregue-as.

Sinta o coração bater, não levante a tampa da privada durante seu uso, deixe o chuvero aberto após ter tomado 2 horas de banho, escute musica, mas com os ouvidos tampados, como fará pra sentir? Vibrações meu caro, as vibrações são o jeito que temos pra realmente escutar o que escutamos. E pra enxergar? Nada mais que cores, uma vida simples é uma vida em preto e branco. Falar? Dessa vez PRODUZIMOS as vibrações, sejam elas positivas ou negativas, pra mim tanto fez, não acredito nisso mesmo. Tato, ah o tato, é por ele que muita gente anda se entregando ultimamente, por isso para acabar com a tentação, entregue-se à ela de corpo e alma, minta, mas seja sincero, grite, mas silenciosamente..

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Nota de abertura,

Não é um banheiro, é uma privada, que também pode ser uma pia. Mas apenas o objeto, sem maiores complexidades. Onde você cospe, se molha, vomita, às vezes até caga. Excreta, bota pra fora de um tudo, aquilo que comeu e não gostou, ou comeu, gostou, processou e defecou. Se limpa e se suja. Passa mal, esquece, promete que vai lembrar e vomita de novo. Não é um banheiro, é uma descarga mental.

caiu, caiu,

faliu,

dormiu,

sumiu,

pariu, pariu,

saiu,

fugiu,

sentiu,

fingiu,

no cio, no cio,

abriu,

sorriu,

subiu,

vestiu,

pariu, saiu.

e como se nunca tivese provado o gosto amargo da insegurança ela bebeu mais um copo e entregou tudo ao destino aquele mesmo traiçoeiro tentava esquecer a infinidade de questões que pairavam sobre todo seu corpo cada canto singularmente...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Querer demais

,fugiu!

eu escrevi e apaguei..