terça-feira, 15 de julho de 2008

fluxo.

Estou começando a entender o wu-wei (o não-fazer) chinês. Não é ficar esperando que as coisas caiam do céu, de braços cruzados, mas estar apto pra fazer o que sua intuição mandar fazer, e não o que seu ego (que geralmente chamamos de "eu") queira fazer. É se deixar guiar, como uma criança que confia plenamente no Pai. É lutar contra os desejos provenientes do ego, é ouvir a voz mais elevada que tem dentro de você. É fácil ouvi-la, e com treino se percebe quando é o ego ou o seu EU Superior que está lhe sugerindo algo.


Às vezes um pouco de caos é bom na vida da gente. Nos desperta da rotina que nos engessa, e nos põe à prova. Como saber se poderemos voar se nunca (de fato) precisamos?

Como diria o mestre Chico Science:



"Eu me desorganizando posso me organizar"








O cego pode viver independentemente, mas precisa de um suporte especialmente criado pra ele: bengala, cachorro-guia, livros em braile, software de leitura, sinais sonoros, etc. A sociedade considera o cego um estorvo, um incômodo, porque a cegueira deles nos "mostra" o quanto as calçadas são esburacadas, o desrespeito institucionalizado para com o cidadão, os motoristas que atropelam na faixa de pedestres, a falta de estrutura para os mais velhos ou mais lentos que o "normal", etc. Deficientes não são "estorvos" em países de primeiro mundo, e a tecnologia pra isso existe, basta querer gastar mais com o cidadão do que com os banqueiros...

Mas, e nós, que "enxergamos", também não dependemos de um suporte especial para viver? Experimente retirar todas as mordomias às quais estamos acostumados desde que nascemos, e nos veremos perdidos! Vivemos cercados de muletas, acessórios que nos empurram a uma direção, um jeito de ser. Não somos nada diferentes de um deficiente visual, apenas a "Matrix" está mais adaptada aos que possuem os 5 sentidos. Só que, estar de posse de mais sentidos não significa possuir mais sensibilidade ou liberdade. Imagine-se por um momento completamente cego. É pavoroso! A sensação de impotência, o desespero... afinal, você nunca espera ficar cego, você não costuma treinar a audição, o tato, você provavelmente nem saberia andar em sua própria casa na escuridão total. O abandono causado por tal situação nos faz procurar ajuda, nos faz (finalmente) enxergar o semelhante.

Não lhe posso dar
O que já existe em você mesmo.
Não posso atribuir-lhe
Outro mundo de imagens
Além daquele que há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser
A oportunidade, o impulso,
A chave.
Eu ajudarei a tornar visível
O seu próprio mundo.
É tudo.
(Herman Hesse)

Um comentário:

HR disse...

Parabéns pelo blog ficou do caraleoooo adorei ^^
passa tempo bão ler faz bem!!!

P.s:"Fluxo" em especial é perfeito!!!